Moro em São Paulo. Pra ser mais preciso, em Diadema. Diadema é parte do 'Grande ABC', complexo formado pelas cidades de Santo André, São Bernardo e São Caetano. Diadema, enxerida, aproveitou a proximidade e tornou-se o 'D' do conjunto. Há quem até fale em ABCDMR, incluindo assim Mauá e Ribeirão Pires no conjunto, mas isso é coisa que se vê apenas em listas telefônicas daqui.
Diadema é uma cidade um tanto quando mal vista por todos que ouvem falar dela. Nos anos 80, a existência de 'justiceiros' e grupos de extermínio a tornaram um lugar extremamente perigoso aos olhos de todos. A verdade é que a cidade ainda é perigosa, mas não tanto quanto naquela época. As constantes melhorias no tocante à educação, segurança pública e condições de moradia fizeram com que o cenário atual seja um tanto quanto interessante. Boa parte das ruas da cidade é monitorada por câmeras, a polícia está presente nas ruas, e os bares e afins são obrigados a fechar às 23 horas. Essas atitudes fizeram com que a taxa de homicídios da cidade caísse vertiginosamente. Não tenho números agora, mas garanto que são impressionantes.
Bem, mas não abri esse post com a intenção de fazer propaganda da cidade. Na verdade, estou me mudando de lá, mas isso é assunto pra outro post. Na verdade, quero salientar uma diferença absurda que pude notar entre as pessoas da região do 'ABCDMR' e as que moram em na cidade de São Paulo. Talvez por serem um pouco parecidas com cidades do interior em muitos aspectos (o que é ótimo), as pessoas são diferentes, andam em um ritmo diferente, e parecem ser bem mais educadas.
Um grande divisor de águas é o metrô. É impressionante como boa parte das pessoas que andam no metrô conseguem ser extremamente mal educadas. Em boa parte das estações, você não entra no trem: é empurrado para dentro do mesmo. Da mesma forma, se alguém está bloqueando seu caminho, você é obrigado a pedir licença, e a pessoa parece sentir-se ofendida pelo fato de você querer passar pelo caminho que ela decidiu, por pura liberalidade, bloquear. Que gente estranha...
Lugares reservados? Sim... na mente de algumas pessoas, são reservados para elas, e não para os idosos, deficientes e obesos. Lembra-se do vídeo da agressão à mulher que não queria sair do lugar reservado? Pois é. Uma confusão que podia ser perfeitamente evitada, não é? Lembro-me também de ter ouvido há alguns dias a reclamação de um ouvinte da BandNews FM sobre o fato de as pessoas usarem um elevador reservado para idosos e deficientes, em vez de usar as escadas (rolantes e/ou fixas). O ouvinte salientou que havia fila para usar o elevador, e pasmem: uma moça de muletas aguardava no final da fila, sendo ela a única que tinha o direito de usa-lo.
Enfim, o quê acontece com as pessoas atualmente? Será que, para as mesmas, ser educado é apenas cumprimentar as pessoas e pedir licença quando estritamente necessário? Sim, porque hoje não se usa 'com licença' na maneira como deveria. Não raro, o 'com licença' é apenas um sinônimo para 'sai da frente', ou 'estou pegando', ou ainda 'você está no meu caminho'. O clássico 'bom dia' hoje é bastante usado como 'ok, eu já estou vendo você. Não chateie.'
É nessas que me pergunto: aonde estamos, e aonde iremos parar? Estamos condenados a viver de forma cada vez mais egoísta? Será que o ângulo de nossos queixos em relação a nossos pescoços está tornando-se assim tão agudo a ponto de conseguirmos olhar apenas para nossos umbigos? Isso me causa estranheza, e traz uma certa preocupação.
E você, o que acha disso tudo? O assunto é extenso, e comentários são bem vindos.
Abraços a todos!







